Fascistas invadem palestra e provocam tumulto em Minas Gerais


A Fundação Maurício Grabois (FMG) realizava, nesta segunda-feira (6), a palestra “O Brasil tem saída – caminhos para a superação da crise brasileira”, ministrada pelo presidente nacional da FMG e ex-presidente do PCdoB, Renato Rabelo, quando foi surpreendida por um grupo de provocadores fascistas, se dizendo fãs de Bolsonaro.

 

 

Presidente nacional da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo ministrava palestra na UFMG quando foi surpreendido por grupo fascista que tumultuou o evento

Presidente nacional da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo ministrava palestra na UFMG quando foi surpreendido por grupo fascista que tumultuou o evento

O evento, realizado no Centro Cultural da UFMG, transcorria normalmente até que três pessoas raivosas, com linguagens de ódio, utilizando a roupagem “Jair Bolsonaro-presidente”, começaram a tumultuar o evento prestigiado por mais de 160 pessoas.

Para a deputada federal (PCdoB-MG) Jô Moraes, que participava do evento, essa é uma demonstração de que infelizmente cresce no país o pensamento fascista. E para isso, disse ela, deve haver “consciência da defesa da democracia” e que não se deve aceitar essas provocações. “Não devemos entrar nesta onda que os fascistas querem”, aconselhou a deputada.

Uma das agitadoras do grupo ultraconservador “Direita Minas”, a repórter esportiva Fernanda Salles, que aparece nas redes sociais como fã de Jair Bolsonaro, gravou um vídeo após o evento, com o grupo invasor, afirmando que foram agredidos na palestra “com chutes, pontapés” e que foram “ameaçados de morte” no evento que participavam porque “simplesmente”, segundo ela, descobriram que eles tinham opiniões divergentes.

Porém, dezenas de pessoas que participaram da palestra disseram que a única intenção do grupo ultraconservador era tumultuar o debate e provocar. Segundo a própria deputada Jô Moraes, o único intuito deles era gerar confusão, provocar as pessoas que participavam da palestra.

Com o tumulto, a guarda municipal foi chamada e encaminhou o grupo para a delegacia. Entretanto, quando Fernanda gravava o vídeo, a polícia questiona que para registrar a ocorrência “é necessário testemunhas” ou alguma prova que evidencie o fato. Já na delegacia, a moça grava outro vídeo (postado em seu perfil no Facebook) em que acusa os policiais da delegacia de não registrar o B.O [Boletim de Ocorrência] por interferência política.

Debate e resistência

Para a deputada Jô Moraes, o Brasil vive um momento grave, de retrocesso, com perdas de direitos fundamentais dos trabalhadores e isso que deve ser debatido. “O momento é de resistir contra tudo de mal que este governo possa fazer contra os trabalhadores”, afirmou em vídeo gravado logo após a ação.

Em nota, a FMG, sessão Minas Gerais, classifica as ações “dos grupos de extrema direita em espaços de debates e lutas democráticas”, um sintoma do “grau da barbárie a que as classes dominantes brasileiras e seus braços ideológicos têm levado o país com sua avalanche reacionária”.

Segundo a entidade, tais atitudes foram geradas na “tática de desmoralização da Política, a partidarização do Poder Judiciário e a legitimação do crescimento do Estado de Exceção no interior do Estado de Direito”, difundida pela grande imprensa, e que serve como “carta de autorização para a ação fascista”.

Para a Fundação, a unidade e a organização da resistência é “tarefa urgente e irrevogável do campo democrático nesse tempo”. E denuncia que o golpe que teve início com a derrubada de uma presidenta legitimamente eleita “ainda está em curso” e “o Estado de Exceção ainda avança”.

O objetivo, segundo a nota, é que para sustentar um governo golpista, o sistema rentista e o imperialismo “exigem a destruição de todas as sementes de um projeto nacional de desenvolvimento plantadas na última década” pelos governos progressistas.

Leia a íntegra da nota:

 

NOTA DA FUNDAÇÃO MAURÍCIO GRABOIS-MINAS SOBRE A INVASÃO DE SUA ATIVIDADE POR PROVOCADORES FASCISTAS

A palestra organizada pela Fundação Maurício Grabois (FMG) em BH nesta segunda, 11, intitulada “O Brasil tem saída – caminhos para a superação da crise brasileira” proferida por Renato Rabelo, presidente nacional da FMG e ex-presidente do PCdoB, com a presença de mais de 160 pessoas, foi invadida e tumultuada por provocadores fascistas.

No momento das intervenções dos presentes, um homem pediu a palavra, que foi concedida, e começou a fazer provocações ao auditório exibindo sua camiseta, até então oculta, com a imagem do apologista do autoritarismo e de torturadores Jair Bolsonaro. Imediatamente, outros homens e duas mulheres também infiltrados na palestra passaram a realizar as mesmas provocações e a gravar ilegalmente imagens dos presentes. Todos os invasores foram convidados a se retirarem pacificamente. Contudo, não atenderam ao pedido e continuaram com as provocações. Nesse momento iniciou-se um grande tumulto até que os invasores foram retirados. A atividade retomou seu curso em seguida.

O ressurgimento das ações dos grupos de extrema direita em espaços de debates e lutas democráticas é um sintoma do grau da barbárie a que as classes dominantes brasileiras e seus braços ideológicos têm levado o país com sua avalanche reacionária. A tática de desmoralização da Política, a partidarização do Poder Judiciário e a legitimação do crescimento do Estado de Exceção no interior do Estado de Direito feita pela mídia burguesa servem como carta de autorização para a ação fascista.

A tarefa urgente e irrevogável do campo democrático nesse tempo é organizar a Resistência. O golpe ainda está em curso, o Estado de Exceção ainda avança. Para sustentar o governo golpista, o capital financeiro e o Imperialismo exigem a destruição de todas as sementes de um projeto nacional de desenvolvimento plantadas na última década. Mas, a cada dia que se agrava a crise econômica, mais parcelas das classes populares são atingidas. Aos poucos esses setores se levantarão. Por isso, não há tempo a perder. Para barrar e fazer retroceder o fascismo e a ofensiva neoliberal será preciso que todos defensores da Democracia, das riquezas da nação e dos direitos do povo se unam.

Venceremos!

Belo Horizonte, 06 de fevereiro de 2017

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4 comentários

  1. Não é possível que 160 camaradas tenham aceitado pacificamente a provocação de 3 fascistas. Deveriam ter se juntado e lhes dado uma surra épica pra nunca mais esquecerem. Quando será que o PCdoB vai entender que o Mal de hoje deve ser combatido com Maldade também? Quando será que vão entender que fascista não é gente?

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  2. NÃO PODEMOS DEIXAR PASSAR EM BRANCO, DEVEM SER PROCESSADOS CONFORME AS LEIS DO PAÍS – TODO REVOLUCIONÁRIO DEVE SABER FAZER A LEITURA DO MOMENTO POLITICO, E DECIDIR QUAL O MELHOR CAMINHO, ENTENDENDO QUE ESSE TIPO DE CRIMINOSO (A) NÃO SE COMBATE APENAS COM PALAVRAS, A ORGANIZAÇÃO DEVERA NESSES EVENTOS CONTAR COM A PARTICIPAÇÃO DE QUEM DOMINA AS ARTES MARCIAIS, NÃO REGISTRADO, ABORDAR OS CRIMINOSOS DE FORMA EDUCADA E PROVOCATIVA PARA QUE ELES REAJAM COM AGRESSÃO (FAZER REGISTRO – VÍDEO) E DEPOIS SURRÁ-LOS A VONTADE, BATENDO EM POSTOS CHAVES DE DIFÍCIL IDENTIFICAÇÃO DAS LESÕES – SÃO GATOS PINGADOS E COVARDES.
    DEPOIS ANALISAR OS RESULTADOS SE FOI O MELHOR CAMINHO OU NÃO

    TODOS OS EVENTOS DEVERÃO TER PLANO DE SEGURANÇA.

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